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10/04/2006 23:36
A saliva interrompida dançava na garganta seca. Tentava engolir um nada que fosse, para estancar o vazio de sentido, mas não havia o que suportasse um nada, um nada que se concretizasse em algo fictício apenas para ser algo sem ser. O ar lhe faltava aos poucos e com isso a respiração tomava um andamento presto e sufocante. A íris dilatada fitava a pele que cobria imponderáveis, desconhecidos, incógnitas, e mesmo assim desejava-a. Desejava a casca perdida nos asfaltos empoeirados, conhecida a esmo, com todo o acaso do mundo.
Nascia uma placenta de amor que conservava uma dúvida embrionária; alimentava-a com soros desfavoráveis que surpreendentemente a fazia crescer e crescer. Um feto de pesares, uma esfera de fogo que incendiava o pâncreas e todas as víscera corporais e imaginárias. O ventre ansioso, tremia.
enviada por marieclaire
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